Manoel Francisco da Silva ( Mané Chico)

     Depois de várias visitas ao cartório local, entrevistas com moradores antigos, consultas a  livros de historiadores da região e muita indagação, constatamos: Mané Chico foi um dos mais antigos moradores ( senão o primeiro ) de Américo de Campos. Nas entrevistas com esses moradores, em capítulos adiante, encontraremos referências a Mané Chico, sempre que falam sobre a chegada à nossa terra.

     Aqui chegando, ele derrubou um capão de cerrado e construiu, de pau-a-pique, a primeira capela de que temos notícia. Naqueles tempos, todo e qualquer povoado ou núcleo habitacional se formava em torno de uma capela ou de um cruzeiro, como se fosse um compromisso com Deus, ou um pedido de bênção para os futuros moradores.

     A Capela Nossa Senhora Aparecida é o primeiro espaço comunitário de orações de que se tem notícia, conforme relato uníssono dos descendentes dos fundadores de Américo de Campos.

     Essa primeira e simples capela foi dedicada a Nossa Senhora Aparecida e situava-se na Praça Brasil, na quadra aonde hoje fica a Escola Municipal de Américo de Campos, o Ginásio de Esportes Jaime de Almeida Rolo e a Praça Marcolino Venceslau dos Santos.

     Entre os livros do Cartório local, consta uma escritura de compra e venda, lavrada na data de 30 de maio de 1927, como o seguinte teor:

“(…) nesta Villa de Américo de Campos, município de Tanabi, por lei interino, compareceram partes justas e combinadas, de um lado como outorgante vendedor Manoel Francisco da Silva, lavrador, domiciliado neste município, e de outro lado, como outorgado comprador, Manoel Francisco Thomaz (…)”

Esta escritura tira a dúvida: Manoel Francisco da Silva e Manoel Francisco Thomaz não era a mesma pessoa, como sempre se havia pensado.

     Na pesquisa sobre a fundação de Américo de Campos, encontramos os nomes de Manoel Francisco Tomaz e Henrique de Souza Lima, citados como primeiros sertanistas de nossa história. Na Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, edição 1957, página 47, consta que os dois procuraram José Inocêncio do Amaral para a formação de patrimônio, nos primórdios de 1920.

     Aprofundando a pesquisa, não encontramos nenhuma referência aos dois cidadãos. Um dado muito confirmado pelos entrevistados é sobre o sertanista Manoel Francisco da Silva (Mané Chico), que poderíamos afirmar ser o primeiro morador da cidade. Assim de declararam descendentes dos fundadores de povoado:

Sebastião Bernando: “Conheci demais o povo do Mané Chico, estavam sempre em casa. Meu pai era padrinho do filho dele.”

João Pedro de Carvalho: “Aqui já estavam Reinaldo Lagoin, nas Águas Paradas; Mané Chico, no Córrego do Veado. No Córrego da Piedade, moravam os Boaventura.”

Benedito Gonçalves (Dito Adão): “O Mané Chico também morava aqui, tinha a capelinha de Nossa Senhora Aparecida que ele construiu. Ele fazia leilão para arrecadar dinheiro para a igreja. (…) Conheci Mané Chico. (…) O Mané Chico não estava junto (na instalação do cruzeiro), ele já tinha ido para o Mato Grosso.”

Nota: Entendemos que Mané Chico também que pode ser considerado fundador de Américo de Campos tanto quanto aqueles que ergueram o cruzeiro. Isso porque ele foi o primeiro a construir, naquelas terras, um espaço comunitário, a capela, que é chamada pelos moradores antigos de ‘capela do Mané Chico’. Foi como se ele fincasse as raízes de um povoado.

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